Os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, anunciaram nesta terça-feira (27) o apoio à reeleição do senador Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência do Senado na próxima legislatura, que começa em fevereiro de 2027. A decisão representa um rompimento com a aliança que a federação União Progressista mantinha com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Segundo a Gazeta do Povo, antes da derrota de Flávio, os partidos poderiam ter apoiado a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) para suceder Alcolumbre. Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25/10), a federação optou por manter a parceria com o atual presidente da Casa. Em nota, Rueda e Nogueira destacaram a "capacidade de promover o diálogo, construir consensos e preservar a independência do Parlamento" de Alcolumbre.
O movimento ocorre em meio a tensões políticas. Aliados de Flávio Bolsonaro mobilizam senadores para eleger Marinho, com o objetivo de avançar pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ao longo de 2026, Alcolumbre barrou esses pedidos de impedimento, o que gerou forte reação da ala direita do Congresso. Parte da bancada do PL alega que há um movimento de Moraes para intimidar a oposição, enquanto críticos acusam Alcolumbre de "cooptar" parlamentares para garantir sua recondução.
O cenário eleitoral de 2026 reforçou a força do PL, que elegeu 19 senadores, contra seis do PP e cinco do União Brasil. Logo após a eleição, a maioria dos aliados de Flávio reconheceu a reeleição de Lula, diferentemente do candidato do PL, que contestou o resultado. A mudança de posição dos partidos da federação sinaliza um novo alinhamento estratégico no Congresso para o próximo ciclo legislativo.
