Um experimento realizado pelo Instituto de Pesca, com apoio da Fapesp, constatou que a truta amarela – fruto do cruzamento entre trutas-arco‑íris de linhagem albina e a variedade comum – atinge cerca de 300 g no ponto de abate comercial, ultrapassando os 237 g da linhagem selvagem e os 145 g da variante albina. O levantamento foi publicado na revista Aquaculture Reports e demonstra que, embora a truta comum cresça mais rapidamente nos primeiros meses, a variante amarela acelera o ganho de massa na fase final, após 120 dias de criação.
Os peixes foram criados em tanques com temperatura, qualidade de água e alimentação idênticas, sendo pesados aos 60, 120, 180 e 270 dias. A pesquisa contou com 90 animais de cada cor – branca, amarela, azul‑cobalto e a comum – provenientes de 8.200 alevinos gerados a partir de 5 machos brancos e 80 fêmeas pardas. Até o quarto mês, a truta comum liderava o crescimento, mas o ritmo desacelerou depois de 120 dias, permitindo que a truta amarela superasse a selvagem na reta final.
Vinicius Vasconcelos Silva, primeiro autor do estudo realizado durante seu doutorado no Instituto de Pesca e na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, destacou que a diferença de coloração pode abrir novas oportunidades para a aquicultura e a pesca esportiva, atendendo à demanda por peixes com características distintas em estabelecimentos de pesque‑e‑pague. O projeto “Avaliação do crescimento muscular de linhagens de trutas‑arco‑íris”, coordenado por Vander Bruno dos Santos, segue investigando o potencial comercial dessas variantes.
A descoberta sugere que a truta amarela pode ser uma alternativa mais rentável para produtores, já que atinge o peso padrão de consumo no Brasil (cerca de 250 g) de forma mais eficiente, ampliando a diversidade de produtos derivados da mesma espécie.
