O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu, em 26 de outubro de 2026, conceder à família de Tancredo de Almeida Neves o direito de acessar os prontuários médicos e demais documentos relativos aos tratamentos que antecederam sua morte, ocorrida em 21 de abril de 1985. A decisão atendeu a um pedido de habeas data apresentado pelo filho do ex‑presidente eleito, Tancredo Augusto Tolentino Neves, que buscava esclarecer as circunstâncias clínicas que culminaram no óbito.
Segundo a advogada da família, Juliana Porcaro, a medida representa "uma vitória da memória, do direito à informação e da busca pela verdade histórica", pois permitirá conhecer os pareceres do Conselho Federal de Medicina e do Conselho Regional de Medicina de Brasília sobre o caso. Os documentos liberados abrangem atendimentos desde 14 de março de 1985, quando Tancredo Neves foi internado no Hospital de Base, em Brasília, até seu falecimento no Hospital das Clínicas, em São Paulo.
A ação judicial foi ajuizada em fevereiro de 2012 e ficou sem andamento entre 2014 e o início de 2025, quando o gabinete de um desembargador do TRF consultou as partes sobre a retomada do processo. A família manifestou interesse em prosseguir, argumentando que negar o acesso a esses documentos impede o resgate de fatos que pertencem à história nacional. O Conselho Federal de Medicina, por sua vez, não se opôs ao julgamento.
A decisão abre caminho para que pesquisadores e historiadores analisem, com base nos registros médicos, os erros que teriam contribuído para a septicemia que matou Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito após a ditadura militar que nunca chegou a tomar posse. Fonte: G1 Política.
