O Tesouro Nacional estimou que a dívida bruta geral do Brasil atingirá 83,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2026, segundo a 8ª edição do Relatório de Riscos Fiscais da União divulgado nesta terça‑feira (03/11/2026). O percentual representa um aumento de 5,1 pontos percentuais em relação ao fechamento de 2025, sinalizando maior pressão sobre as contas públicas e maior exposição ao custo dos juros e a variações macroeconômicas.

O relatório indica que, se a trajetória de referência se mantiver, a dívida bruta poderá chegar a 86,3% do PIB em 2036, enquanto cenários de risco com choques macroeconômicos adversos poderiam elevar o indicador para até 103,4% do PIB naquele ano.

Entre os fatores que influenciam a evolução da dívida, destacam‑se o custo dos juros, o ritmo de crescimento econômico e a inflação, que afetam tanto as despesas financeiras quanto a arrecadação. O Tesouro apontou que 94,6% das receitas primárias da União são sensíveis a variações econômicas, com mudanças de 1 ponto percentual no crescimento real do PIB podendo alterar a arrecadação em R$ 16,6 bilhões.

Além das projeções de endividamento, o documento identificou R$ 4,87 trilhões em exposição a riscos fiscais específicos para 2025, incluindo processos judiciais, garantias da União e créditos de difícil recuperação, sendo as ações judiciais o principal fator de risco.