O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou nesta quinta‑feira (29/10/2026) que a equipe econômica trabalha em um pacote de medidas para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2027‑2030), mas negou que já exista decisão sobre a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em títulos atualmente isentos, como LCI e LCA. Leal disse que as propostas ainda estão em discussão e serão apresentadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo presidente Lula quando estiverem prontas.

Durante a apresentação do Resultado do Tesouro Nacional de setembro, Leal destacou que as discussões sobre a tributação de instrumentos financeiros são permanentes, mas que não há medida pronta para tributar esses ativos. "Discussão sempre vai ter sobre esse tema e outros. Mas não há medida pronta para tributar instrumentos com IOF", declarou.

O secretário também apontou que o governo busca melhorar o equilíbrio das contas públicas em um cenário de déficit primário acumulado de R$ 90,2 bilhões de janeiro a setembro de 2026, superior ao déficit de R$ 100,3 bilhões registrado no mesmo período de 2025. A equipe econômica projeta um déficit primário de R$ 67,3 bilhões até o final de 2026, dentro do limite inferior da meta fiscal.

Leal não detalhou quais medidas integrarão o pacote nem informou data para o anúncio oficial. Ele ressaltou que, embora o Tesouro mantenha debates sobre a tributação de instrumentos financeiros para reduzir distorções e promover isonomia, isso não significa que o governo tenha decidido aplicar o imposto.

A preparação das medidas ocorre após a reeleição de Lula, confirmada no domingo (25/10/2026), e em meio à pressão do mercado financeiro por iniciativas que contenham o crescimento da dívida pública e melhorem os resultados fiscais.