Um estudo divulgado no domingo (01/11) destaca a necessidade de o Sistema Único de Saúde (SUS) garantir a continuidade do cuidado a pacientes com câncer em situações de crise, como pandemias ou desastres naturais. O documento aponta que o câncer é a segunda principal causa de morte no Brasil e que, segundo projeções da International Agency for Research on Cancer (IARC), o número anual de casos pode crescer 84 % entre 2022 e 2050.

A análise evidencia que emergências recentes – a pandemia de covid‑19 e as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 – interromperam consultas, procedimentos e o acesso a medicamentos, impactando sobretudo populações vulneráveis. Entre os desafios apontados estão o financiamento insuficiente, desigualdades regionais e a coordenação entre os diferentes níveis de atenção.

Para enfrentar esses riscos, o estudo recomenda que a preparação para crises inclua explicitamente o controle do câncer, com estratégias de antecipação, absorção de impactos e adaptação dos serviços de saúde. A proposta foi debatida em um workshop nacional realizado no Rio de Janeiro, em dezembro de 2025, organizado pela IARC, pela Organização Pan‑Americana da Saúde (OPAS) e pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), reunindo formuladores de políticas, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes da sociedade civil.

Os especialistas enfatizaram a importância de preservar todas as etapas da jornada oncológica – da prevenção ao diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos – mesmo durante emergências, a fim de reduzir desigualdades e salvar vidas.