O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes concedeu cinco dias, a partir de 3 de novembro de 2026, para que diversos órgãos federais apresentem informações sobre alegados ataques a povos indígenas ocorridos após as eleições de 2026. O despacho, assinado nesta terça‑feira (3), não foi motivado por pedido específico, mas se baseou em reportagens que apontam uma suposta onda de violência política contra comunidades indígenas.
No documento, Mendes determinou que o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul detalhe as apurações que está conduzindo, bem como que a Advocacia‑Geral da União, o Ministério dos Povos Indígenas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério dos Direitos Humanos e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) forneçam seus relatórios. A ação que fundamenta a medida foi protocolada em abril de 2023 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que questiona a postura do governo do Mato Grosso do Sul diante da violência contra comunidades indígenas no estado.
A Apib alega casos de atropelamentos, ameaças e suspeitas de contaminação de água, embora o MPF já tenha classificado ao menos um dos relatos como boato. Em um episódio específico, o procurador da República Marco Antonio Delfino consultou lideranças das comunidades Kurupi e Mboreviryque, que negaram qualquer ocorrência de ataques. A prefeitura de Naviraí e a promotoria local explicaram que o fato investigado tratou‑se de uma tentativa de homicídio decorrente de desentendimento familiar, sem vínculo político ou étnico, e que imagens divulgadas foram manipuladas.
A decisão de Mendes foi apoiada pela maioria dos ministros do plenário, embora ele tenha sido voto vencido em parte da discussão. Os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça e Nunes Marques acompanharam a iniciativa, enquanto a ministra Rosa Weber liderou a posição majoritária. O Ministério Público Federal já havia instaurado procedimentos logo após o segundo turno para verificar as denúncias.
Fonte: Gazeta do Povo (https://www.gazetadopovo.com.br/republica/gilmar-cobra-explicacoes-sobre-ataques-a-indigenas-apos-as-eleições/).
