A ex‑ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) defendeu nesta quarta‑feira (28/10) a adoção de medidas de ajuste fiscal e a revisão de despesas no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à CNN Brasil, Tebet afirmou que o país possui “gordura para cortar” e que é possível reduzir gastos sem retirar nenhum benefício social, além de propor uma emenda constitucional (PEC) para conter despesas e revisar o arcabouço fiscal.

A proposta de Tebet contrasta com a fala do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), que, no dia anterior (27/10), declarou que o ajuste fiscal não está em discussão e não é prioridade do governo até o fim do ano. Guimarães apontou outras pautas, como a PEC da Segurança Pública, a MP das apostas esportivas e a tarifa zero no transporte público, como foco do Congresso até dezembro.

O titular da Fazenda, Dario Durigan, também comentou o tema na mesma terça‑feira, afirmando que o governo estuda medidas fiscais e já tem algumas prontas, defendendo a responsabilidade e a estabilidade das contas públicas. Durigan indicou que o presidente Lula definirá a equipe econômica do novo mandato antes de anunciar as medidas, que dependem da aprovação do Congresso Nacional.

Segundo Tebet, as equipes econômicas de alguns ministérios já dispõem de um “cardápio” de medidas que podem ser apresentadas ao presidente, e ela estima que o país poderia alcançar superávit fiscal equivalente a 2 % do PIB em quatro anos, caso as ações sejam implementadas. A ex‑ministra reforçou que a janela de oportunidade para a PEC de contenção de gastos é “agora”.