A conclusão da Usina Termonuclear Angra 3 depende da participação da iniciativa privada, segundo avaliação do setor nuclear brasileiro. Celso Cunha, presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares), afirma que a entrada da Âmbar Energia, braço do grupo J&F, é a única opção viável para o término das obras, que estão paralisadas desde 2015.

De acordo com o Poder360, a Âmbar adquiriu em outubro de 2025 a totalidade da participação da Eletrobras na Eletronuclear por R$ 535 milhões. Embora a União mantenha o controle acionário da estatal por meio da ENBPar, a chegada do grupo J&F é vista como determinante para destravar o impasse financeiro e operacional do empreendimento, que custa aproximadamente R$ 1 bilhão por ano aos cofres públicos.

O caso aguarda decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), que recebeu do TCU um prazo de 240 dias para se posicionar sobre a retomada ou conclusão das obras. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pretende apresentar uma solução para o tema ainda em 2026. Cunha critica o que chama de atraso político do governo em tomar uma posição, argumentando que a decisão prolonga uma discussão que poderia ter sido superada há décadas.

Dados recentes indicam que cerca de R$ 12 bilhões já foram investidos em Angra 3, com 66% das obras concluídas. Um estudo do BNDES estima em R$ 23,9 bilhões o custo para finalizar a usina, enquanto o abandono do projeto teria um custo estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 25,9 bilhões, considerando dívidas e rescisões contratuais.