Marília Campos, primeira senadora eleita pelo PT em Minas Gerais, afirmou que o impeachment não deve ser usado como bandeira política, mas reconheceu que a medida pode ser necessária caso o Supremo Tribunal Federal (STF) não tome providências. Em entrevista à Coluna do Estadão, a ex‑prefeita de Contagem (MG) declarou que cabe ao STF adotar as medidas necessárias para apurar o escândalo do Banco Master e que, na ausência de ação do tribunal, o Senado teria que se apropriar das investigações e, dentro das regras constitucionais, decidir sobre um eventual impeachment.
Campos ressaltou que as investigações apontam relações do banqueiro Daniel Vorcaro não apenas com ministros, mas também com políticos, e pediu que todos os envolvidos sejam investigados. “Temos que cobrar que o STF tome as medidas cabíveis que envolvem não só ministros, porque não foi só ministro que foi beneficiado pelo escândalo do Master. Teve políticos também, outras lideranças. Essas investigações estão no Supremo”, disse a senadora eleita.
A coluna ainda contextualiza que o Senado é a instituição responsável por julgar o impeachment de ministros do STF e que o tema tem sido central na campanha bolsonarista, que prometeu alvo ao ministro Alexandre de Moraes. A expectativa de avanço do assunto na nova legislatura estava ligada à vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições para a presidência do Senado, mas, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, o andamento dos pedidos de impeachment permanece incerto, dependendo da eleição para a presidência do Senado a partir de 2027. Atualmente, o Senado é presidido por Davi Alcolumbre (União‑AP), que já declarou que não dará seguimento a requerimentos de impeachment contra integrantes do STF.
Fonte: Estadão Política – https://www.estadao.com.br/politica/coluna-do-estadao/primeira-senadora-do-pt-mg-rejeita-impeachment-como-bandeira-mas-abre-brecha-para-julgar-stf/
