O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) divulgou, na noite de sexta‑feira (30/10), seu primeiro vídeo gravado nos Estados Unidos após deixar o país, descumprindo a ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes, que o proibiu de viajar. No material de cerca de 17 minutos, o candidato derrotado à Presidência não detalhou como organizou a fuga, mas afirmou que pretende concorrer novamente à Presidência antes de 2030, apontando a crise econômica como possível causa da queda antecipada do presidente Lula (PT).
Flávio explicou que decidiu sair do Brasil após ser intimado pela Polícia Federal na segunda‑feira (26/10), quando deixava a visita ao pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Ele e a esposa Fernanda decidiram a viagem sem comunicar aliados, e a família atravessou a fronteira por Foz do Iguaçu, entrou na Argentina por Puerto Iguazú e, de lá, embarcou em avião particular rumo a Guayaquil (Equador) e, depois, a Miami (Flórida). O senador usou o passaporte italiano, obtido em 2023, e, para entrar nos EUA, utilizou o passaporte diplomático brasileiro, já cancelado pela Polícia Federal.
A fuga contou, segundo reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal, com apoio do governo dos Estados Unidos, que teria providenciado o jato particular e autorizado a entrada do senador por meio de um mecanismo de admissão temporária (parole). A Polícia Federal informou que investiga o descumprimento das medidas judiciais, embora não exista ordem de prisão contra Flávio.
No vídeo, o senador também voltou a acusar o Judiciário de perseguição política e questionou a legitimidade da vitória de Lula, sem apresentar provas. Flávio está sendo investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, caso que ele nega e atribui a motivação política.
