A saída do senador Flávio Bolsonaro do país, após o desfecho das eleições presidenciais, criou um vácuo de comando no bolsonarismo e deu início a uma disputa interna pelo protagonismo da oposição. Segundo o cientista político Eduardo José Grin, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o movimento enfrenta o desafio de manter sua base ideológica — estimada por ele entre 14% e 15% do eleitorado — sem uma liderança central capaz de coordenar a atuação nacional do grupo.
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, Grin afirmou que o bolsonarismo encontra-se atualmente "politicamente órfão". O especialista pontuou que nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro buscam ocupar esse espaço, mas enfrentam o dilema de equilibrar a fidelidade à base mais radical com a necessidade de ampliar alianças políticas para além do núcleo bolsonarista.
Para o analista, a tentativa de Tarcísio de Freitas de conciliar a direita tradicional com o bolsonarismo raiz apresenta contradições que dificultam sua consolidação como sucessor natural do grupo. A análise, publicada hoje (29/10) pela revista Veja, destaca ainda que a contestação do resultado eleitoral feita por Flávio Bolsonaro pode contribuir para seu isolamento político, embora o movimento mantenha capacidade de pressão sobre outros setores da direita.
