Uma revisão sistemática de 38 estudos publicados no periódico *Food & Function* indica que o consumo regular de maçã pode trazer benefícios à saúde cardiometabólica, ao controle da glicemia e à composição da microbiota intestinal. Os pesquisadores italianos destacam efeitos antioxidantes e anti‑inflamatórios que favorecem a função endotelial, além de melhorar a resposta vascular.

A análise aponta que fibras solúveis, como a pectina, retardam o esvaziamento gástrico e a absorção de carboidratos, contribuindo para o controle glicêmico e reduzindo o risco de diabetes. Essas fibras também atuam como prebióticos, estimulando o crescimento de bactérias benéficas, sobretudo bifidobactérias, que produzem ácidos graxos de cadeia curta associados à integridade da barreira intestinal e à regulação do metabolismo energético.

Além das fibras, a fruta contém polifenóis – flavonoides como quercetina, catequinas e proantocianidinas – que possuem ação antioxidante e anti‑inflamatória. A maior concentração desses compostos está na casca, que responde por mais de 80% do total de polifenóis da maçã.

Nutricionistas do Hospital Israelita Albert Einstein e da USP ressaltam que, embora a revisão mostre tendências positivas, há heterogeneidade nas populações estudadas e nas quantidades consumidas, exigindo cautela antes de estabelecer recomendações definitivas. O consumo de maçã, portanto, deve ser visto como parte de uma dieta equilibrada, e não como solução milagrosa para a saúde cardiovascular ou intestinal.