O artigo do Congresso em Foco, publicado em 28 de outubro de 2026, alerta que o parágrafo gerado automaticamente pelo Google – a chamada “Visão Geral” criada por IA – aparece no topo dos resultados de busca e pode se tornar a primeira impressão que o eleitor tem de um candidato. Esse texto não é escrito por jornalistas nem pelos próprios candidatos, sendo produzido a partir de conteúdo indexado na web.
Segundo pesquisa do Pew Research Center, analisando 900 adultos norte‑americanos que compartilharam seu histórico de navegação em março de 2025, as sessões que exibiam o resumo de IA resultaram em cliques em resultados tradicionais em apenas 8 % das visitas, contra 15 % quando o resumo não era exibido. Além disso, as sessões terminavam com mais frequência nas páginas contendo o resumo (26 % contra 16 %).
O estudo indica que buscas formuladas como perguntas – por exemplo, “quem é fulano?” – geram o resumo na maioria das vezes, e que a maioria dos usuários tende a permanecer na resposta automática. Conteúdos estratégicos publicados na internet podem, portanto, influenciar as respostas geradas pela IA, sobretudo para candidatos pouco conhecidos.
A reportagem cita ainda casos documentados de manipulação algorítmica, como a rede de sites pró‑Kremlin identificada pela NewsGuard em março de 2025, que alimentou respostas falsas em assistentes de IA, e um experimento da BBC em 2026 que mostrou como um único texto publicado pode ser reproduzido por ferramentas de IA no dia seguinte. Em resposta, o Google atualizou suas políticas de spam para proibir a criação de múltiplos sites com o objetivo de manipular as respostas da IA, reconhecendo a prática como abuso.
No Brasil, a questão já chegou ao Judiciário: uma ação no Foro Central Cível de São Paulo, coordenada pelo escritório Grando Limberger Advogados, busca enfrentar a geração de resumos que associam indevidamente pessoas a empresas ou informações falsas. A matéria destaca a necessidade de regulamentação e de mecanismos de proteção da reputação e da integridade das eleições diante desse novo vetor de desinformação.
