As eleições de 2026 marcaram um avanço histórico da presença de mulheres nos espaços de poder no Brasil. A partir de fevereiro de 2027, a Câmara dos Deputados contará com 109 mulheres entre os 513 parlamentares – 19 a mais que em 2022, o que representa um crescimento de 21,1 %. No Senado, 12 mulheres foram eleitas nas 54 vagas disputadas, o maior número de candidatas vitoriosas em um único pleito desde a redemocratização, elevando a bancada feminina para 18 das 81 cadeiras da Casa.

No executivo estadual, três mulheres foram eleitas governadoras: Mailza Assis, no Acre; Celina Leão, no Distrito Federal; e Raquel Lyra, reeleita em Pernambuco. O resultado iguala o recorde de 2006 e supera o número de governadoras eleitas em 2022, embora ainda represente apenas três das 27 unidades da Federação.

Esses números são reflexo de políticas públicas de incentivo à participação feminina, como a Emenda Constitucional nº 117/2022, que fixa 30 % dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário para candidaturas de mulheres, além de garantir tempo proporcional de propaganda eleitoral gratuita. A Justiça Eleitoral também tem intensificado a fiscalização contra candidaturas fictícias que visavam apenas cumprir a cota de gênero.

Apesar do avanço, a representação ainda está longe da paridade de 50 % prevista na legislação. As mulheres ocuparão 21,2 % da Câmara e 22,2 % do Senado, números que, embora históricos, apontam para a necessidade de acelerar o processo de inclusão.

O aumento da presença feminina nos parlamentos e nos governos estaduais é visto como um marco para a maturação da democracia brasileira, reforçando a ideia de que a representatividade efetiva depende da participação de diferentes parcelas da sociedade nos espaços de decisão.