André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, apresentou uma proposta de “tabelamento” da taxa básica de juros que revigorou a disputa dentro do PT sobre a orientação econômica do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Em artigo intitulado “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027”, o economista defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que definiria metas de juros e de política fiscal para os próximos quatro a cinco anos.
O ex‑coordenador do programa de governo de Lula, José Sérgio Gabrielli, aderiu ao posicionamento de Lara Resende, afirmando que economistas externos ao governo estão pedindo maior progressividade tributária e mecanismos monetários heterodoxos, como o tabelamento de juros. Gabrielli celebrou o que chamou de “fim do pensamento único” e argumentou que a situação fiscal do país é menos dramática do que indica o mercado financeiro.
A discussão surge às vésperas da reunião do Copom, marcada para 3 de novembro, cujo resultado – esperado para 4 de novembro – deve indicar se a Selic permanecerá em 13,75% ao ano ou se haverá interrupção do ciclo de cortes. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Dário Durigan, nega que o governo pretenda impor limites artificiais à taxa de juros, ressaltando que as medidas necessárias serão adotadas para estabilizar a dívida pública.
Lula, por sua vez, reagiu às especulações sobre um possível ajuste fiscal mais rígido em vídeo publicado nas redes sociais no domingo, 1º de novembro, defendendo seu governo contra críticas que ele qualificou como “mentirosos de sempre”. Até o momento, integrantes da equipe econômica negam que haja encontro entre o presidente e Lara Resende nos próximos dias.
A proposta de Lara Resende e o apoio de Gabrielli indicam que o debate sobre a condução da política monetária e fiscal no Brasil continuará intenso, com ramificações dentro do próprio partido e entre diferentes correntes econômicas do governo.
