Matheus Montenegro, presidente do Fluminense, afirmou nesta terça‑feira (3) que o risco de desemprego no futebol brasileiro pode ser maior que o endividamento de famílias causado pelas apostas. Em audiência pública no Supremo Tribunal Federal, ele alertou que a proibição das casas de apostas pode cortar receitas essenciais para clubes menores, provocando demissões em toda a cadeia esportiva. Montenegro destacou ainda que o prazo de dez dias para retirada da publicidade das bets é insuficiente, comparando‑o com períodos de adaptação de 56 meses na Bélgica, 36 no Reino Unido, 12 na Espanha e 10 na Itália.

O dirigente argumentou que o STF deve ponderar tanto os danos sociais das apostas quanto os impactos econômicos da perda de patrocínio, citando: “O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego.”

A fala de Montenegro foi contestada pelo deputado distrital Fábio Félix (PSOL‑DF), que questionou a associação entre a proibição das apostas e o risco de desemprego, lembrando que os clubes já possuíam outras fontes de receita antes da expansão das casas de apostas.

A audiência, convocada pelo ministro Luiz Fux, reúne representantes de clubes, entidades esportivas, governo e associações do setor para subsidiar a análise da constitucionalidade da medida provisória que restringe a publicidade das apostas esportivas. O debate inclui aspectos econômicos, sociais e jurídicos da proibição, que ainda será avaliada pelo STF.

Fonte: Congresso em Foco (https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/131263/para-fluminense-drama-de-divida-por-bet-nao-e-maior-que-do-desemprego)