A Polícia Federal (PF) apresentou nesta quarta‑feira (28/10) um relatório parcial de mais de 700 páginas que indiciou o ex‑bancário Daniel Vorcaro, o ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas por suposta fraude envolvendo o Banco Master. O documento, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), descreve Vorcaro como "líder da organização criminosa" e Costa como "principal agente de articulação institucional" no esquema que teria negociado cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos sem lastro real.

Segundo a PF, a fraude consistiu na manipulação de planilhas de Excel para simular carteiras de empréstimos consignados inexistentes, com a empresa de fachada Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A. sendo usada para gerar transações falsas. A investigação apontou ainda que o BRB recebeu alertas de risco – 51 avisos e 13 extrapolações no Indicador de Liquidez e Capitais Prudenciais – mas continuou a pagar R$ 7,417 bilhão ao Banco Master, apesar das inconsistências detectadas.

A defesa de Vorcaro alegou que o negócio com as carteiras da Tirreno não foi concluído e que os ativos foram substituídos sem prejuízo ao BRB. A defesa de Costa, por sua vez, afirmou surpresa com o indiciamento e afirmou que o ex‑presidente "não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras". O relatório também solicita à PF a prorrogação da investigação por mais 60 dias. O processo está sob a relatoria do ministro Edson Fachin, que afastou temporariamente o ministro André Mendonça em meio a divergências internas da Corte.