Após as eleições de 2026, questionamentos sobre publicidade política, bloqueios automáticos e recomendações nas redes sociais reforçam a necessidade de auditorias independentes e maior transparência das plataformas digitais. Marcelo Senise, em 29 de outubro de 2026, destaca que as urnas foram auditadas, mas os sistemas privados que determinam o que milhões de brasileiros veem ainda não são fiscalizados com a mesma independência. A Nota Técnica nº 03/2026 do Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA) reúne fatos que exigem respostas. O NetLab/UFRJ identificou 1.613 anúncios político‑eleitorais pagos a partir do exterior ou por agentes não autorizados, com cerca de 171 milhões de impressões. O Ministério Público Federal informou que, segundo a própria Meta, 206 910 itens de conteúdo foram bloqueados automaticamente entre 1º e 5 de outubro, e questionou a transparência desses bloqueios. A ANPD abriu procedimento sobre suspensões, restrições de alcance e mecanismos de contestação, enquanto o TSE exigiu esclarecimentos sobre recomendações algorítmicas, publicidade e inteligência artificial. Em estudo de mais de 33 mil contas de ecossistemas políticos, o IRIA identificou aproximadamente 24 % de perfis com indícios de automação. Parlamentares americanos e especialistas independentes vinculados à ONU manifestaram preocupação com restrições à expressão política. Senise conclui que a resposta não é entregar ao Estado o poder de escolher opiniões aceitáveis, mas exigir registros preservados, transparência verificável, auditoria independente, revisão humana e responsabilização quando houver infração comprovada.