O Ministério Público do Trabalho recebeu 3.290 denúncias de assédio eleitoral até quarta‑feira, 28 de outubro de 2026, um aumento de 1.353 casos em relação ao período anterior ao segundo turno da eleição presidencial. Desses relatos, 2.471 (75,1 %) foram registrados apenas em outubro, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno em 25 de outubro.

A prática tem sido incentivada por parlamentares e empresários que promovem o movimento “demita um petista”. A deputada estadual do Rio de Janeiro Índia Armelau (PL), a mais votada nas eleições estaduais, publicou orientação nas redes sociais para que empresários verifiquem nas redes dos funcionários se eles apoiaram Lula e, em caso afirmativo, considerem a demissão. O deputado federal eleito pelo Paraná Guilherme Kilter (Novo) também divulgou vídeo incentivando a mesma conduta e celebrou relatos de trabalhadores dispensados por posicionamento político.

Helena Fernandes Barroso Marques, diretora de comunicação da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT), afirmou que a escalada dos casos supera a de eleições anteriores, passando de constrangimentos a ameaças de demissão. Em coletiva nesta quarta‑feira, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, garantiu que o governo adotará “mão pesada” contra o assédio eleitoral, ressaltando que a conduta viola a Constituição ao cercear o voto livre e secreto.

A reportagem da CartaCapital traz declarações de representantes do Ministério Público, da ANPT e dos políticos citados, mas não há registro de respostas formais das empresas apontadas nem de medidas judiciais específicas até o momento.