O colunista do Radar da Veja, Robson Bonin, argumenta que, no início do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente contará com menor margem de manobra para cobrar apoio do Centrão. Segundo Bonin, o aumento do peso das emendas parlamentares no orçamento federal deu mais autonomia a deputados e senadores, reduzindo a capacidade do Planalto de usar recursos e cargos como moeda de troca.

A mudança na dinâmica entre Executivo e Legislativo, aponta o autor, obriga ministros a “mendigarem” recursos junto aos parlamentares, ao contrário do cenário anterior, em que o Congresso buscava o governo para obter verbas. Essa inversão, segundo a análise, enfraquece o arranjo tradicional em que partidos do Centrão recebiam espaço no governo em troca de apoio nas votações.

Bonin também destaca que Lula precisará equilibrar aliados de longa data e partidos do Centrão que contribuíram para sua reeleição, em um contexto de “desconfiança de ambos os lados”. O colunista menciona ainda que alguns ministros petistas defendem que o presidente evite alianças com partidos que ocupem cargos na Esplanada e votem contra a agenda governamental, mas que essa postura pode ser difícil de sustentar diante do novo peso das legendas no destino das emendas.

A avaliação de Bonin sugere que a negociação entre governo e Congresso será mais complexa, exigindo a construção de pautas de interesse comum em vez de depender apenas de cargos ou recursos. Fonte: Veja.