No debate realizado na TV Globo na sexta‑feira (23/10), os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram posições distintas sobre o papel das Forças Armadas no combate ao crime organizado. Lula reiterou a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública por meio de proposta de emenda constitucional, mantendo a atuação das Forças Armadas restrita a situações de garantia de lei e ordem (GLO) já experimentadas em seu governo. Já Flávio Bolsonaro defendeu a implantação do programa “Escudo das Américas”, inspirado na política de Donald Trump, que prevê a participação direta das Forças Armadas latino‑americanas no combate ao narcotráfico, inclusive com a proposta de enviar uma “tropa de elite da Marinha” ao porto de Paranaguá (PR) para enfrentar o Primeiro Comando da Capital.

Lula também admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, enquanto Flávio Bolsonaro votou a favor do fim da escala de trabalho 6 por 1. Ambos os candidatos buscaram, nos últimos dias de campanha, alinhar suas propostas de segurança pública, embora com ênfases diferentes: o petista aposta em integração institucional e coordenação federal, e o bolsonarista aposta em uma política de segurança mais agressiva e internacionalizada.

A diferença de abordagem pode influenciar o eleitorado que decidirá no domingo, 25 de outubro, entre os dois modelos de governo. O debate destacou, ainda, a crítica de Raul Jungmann, ex‑ministro da Defesa, ao uso militar em operações de GLO, definindo‑as como “dar férias para bandidos”, e reforçou o questionamento sobre a eficácia e os custos dessas ações.

Fonte: Estadão Política. https://www.estadao.com.br/politica/marcelo-godoy/desafio-de-lula-e-convencer-de-que-sera-diferente-o-de-flavio-e-mostrar-que-nao-sera-um-bukele/