A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 4 de outubro abriu nova dinâmica na disputa pelo controle do Senado, beneficiando o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que vinha sob forte pressão pelo caso Vorcaro. O senador Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), atual presidente da Casa e candidato à reeleição, recebeu apoio público de Lula, enquanto o senador Rogério Marinho (PL‑RN), candidato do PL à presidência do Senado, tem defendido o impeachment de Moraes.

Com o PL conquistando 29 cadeiras na nova legislatura, a bancada centrista passa a ser decisiva tanto para a escolha do presidente do Senado quanto para eventuais tentativas de impugnação de ministros do STF. O centrão, que já apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno, deverá buscar alianças com o governo, especialmente após a fuga de Flávio para os Estados Unidos, que deixou o PL em busca de nova estratégia.

Renato Dolci, cientista político, destacou que a reeleição de Lula preservou o poder de negociação do governo com os partidos de centro, reabrindo a disputa que antes parecia definida. As eleições internas para a presidência do Senado e da Câmara, previstas para fevereiro de 2027, serão o grande teste desse novo equilíbrio de forças entre governo e oposição, com especial atenção ao futuro do ministro Moraes.