O colunista Alan Ghani, da Jovem Pan, analisou a situação fiscal que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdará ao final de seu mandato, destacando que, a partir de 2027, não haverá mais um antecessor a quem culpar. O texto aponta que o crédito para estimular o consumo, subsídios aos combustíveis, isenção de IR, perdão de dívidas e a ampliação do Bolsa Família já somam cerca de R$ 350 bilhões ao contribuinte, e que a dívida pública já alcança 83 % do PIB segundo o Banco Central – 95 % segundo o FMI.
Ghani ressalta que, embora a estratégia de manutenção das promessas de campanha possa gerar inflação, juros elevados e estagnação econômica, o ajuste fiscal exigiria o corte de programas sociais, a retirada do BPC da regra do salário‑mínimo, a revisão de subsídios e a redução da máquina pública. O autor alerta que, sem reformas estruturais, o país pode enfrentar a combinação de alta inflação, juros pressionados, dólar elevado e recessão, cenário que já se repetiu durante o governo Dilma Rousseff, culminando em crise econômica, protestos populares e um Congresso hostil.
A coluna conclui que a falta de uma saída indolor coloca o governo Lula diante de um dilema: cumprir as promessas eleitorais ou adotar medidas de ajuste fiscal que podem gerar insatisfação social. O texto não traz declarações oficiais do presidente nem de órgãos governamentais, limitando‑se a uma análise de conjuntura econômica baseada em dados públicos de dívida e superávit primário.
