O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende condicionar a distribuição de ministérios e cargos de primeiro escalão ao apoio efetivo dos partidos do centrão no Congresso Nacional durante seu quarto mandato. Em entrevista ao jornal O Globo, Edinho Silva, presidente nacional do PT, afirmou que os partidos que desejarem integrar o governo deverão demonstrar “lealdade ao projeto liderado pelo presidente Lula”.

A estratégia, já em fase de articulação no Palácio do Planalto, envolve diálogos com dirigentes partidários para definir as condições de participação na Esplanada dos Ministérios, com ênfase na chamada “fidelidade total” ao programa do Executivo nas votações legislativas. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), que mantiveram apoio a Lula ao longo da campanha, serão interlocutores-chave nesse processo.

Segundo a reportagem da Gazeta do Povo, a medida surge após episódios de descontentamento no segundo mandato, quando partidos aliados ao governo se mostraram independentes em votações e alguns apoiaram o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) no segundo turno da eleição presidencial. O governo busca, assim, evitar que alianças fragilizadas comprometam a aprovação de projetos de interesse do Executivo, combinando negociação institucional com mobilização popular, inclusive por meio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”.

A articulação ainda contempla conversas com representantes de partidos como PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PP, além de possíveis diálogos com o PSDB, Avante e União Brasil, visando ampliar a participação de aliados nos ministérios instalados no Palácio do Planalto.