O Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu, de forma unânime, que a família do ex‑presidente Tancredo de Almeida Neves tem direito ao acesso a prontuários, exames e demais documentos sigilosos referentes à sua internação no Hospital de Base, em Brasília, em 1985. A medida, publicada nesta manhã de 1º de novembro de 2026, encerra uma disputa judicial iniciada em 2010, quando a família, por meio da advogada Juliana Porcaro, solicitou a liberação dos registros médicos que até então permaneciam sob sigilo médico‑paciente.

A decisão determina que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM‑DF) disponibilizem os documentos, embora ambas as entidades ainda não tenham sido oficialmente notificadas. Entre os documentos que deverão ser entregues estão os prontuários de internação, a relação dos médicos que atenderam Tancredo Neves e relatórios de procedimentos realizados.

A família de Tancredo Neves busca esclarecer as hipóteses de erro médico levantadas no livro “O paciente”, de Luís Mir, que aponta questões como a realização de cirurgia de emergência em vez de tratamento eletivo, a presença de mais de 30 acompanhantes na sala de cirurgia e advertências recebidas pelos médicos envolvidos. Juliana Porcaro afirma que a divulgação dos documentos ajudará a compreender “como os próprios médicos do Conselho entenderam a postura dos médicos responsáveis” e a contar a história da nação.

Até o momento, o ex‑presidente José Sarney, que assumiu a presidência após a morte de Tancredo, confirmou que havia receio quanto à sucessão e que a situação era delicada, mas não se pronunciou sobre o conteúdo dos documentos que serão liberados.

Fonte: G1 Política (https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/11/01/justica-quebra-sigilo-de-documentos-da-morte-de-tancredo-neves-entenda-o-que-pode-vir-a-tona.ghtml).