A 3ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo decretou, em decisão publicada nesta terça‑feira (03/11/2026), a prisão preventiva de dois auditores fiscais da Fazenda do Estado. O juiz considerou que Jorge David Júnior e Rafael Merighi Valenciano teriam instalado um “núcleo criminoso” na Delegacia Regional Tributária de Osasco, praticando extorsão contra empresários e comerciantes e recebendo, em conjunto, mais de R$ 70 milhões em propinas.

Jorge David Júnior, auditor fiscal desde 2006, está foragido desde maio, após ser preso em flagrante com R$ 5 mil e conseguir habeas‑corpus. A decisão aponta que ele teria recebido, isoladamente, pelo menos R$ 70 milhões em vantagens indevidas, além de múltiplas entregas de dinheiro em espécie e transferências fracionadas para contas de fachada. Rafael Merighi Valenciano já se encontrava preso por outra investigação que aponta extorsão de R$ 2 milhões contra um empresário.

A ação penal foi aberta contra os dois fiscais, contra Jone Eder Balestra – amigo próximo de Valenciano – e contra o ex‑juiz do Tribunal de Impostos e Taxas, Manoel Marcelo Camargo de Laet, por corrupção e lavagem de dinheiro. O Estadão solicitou manifestação das defesas; os advogados de Jorge David Júnior declararam que irão se manifestar após tomar ciência do conteúdo da decisão.

A Procuradoria destaca que o esquema envolvia “interlocução direta” com intermediários para simular entraves fiscais, cobrança de pagamentos e repasse de valores por meio de empresas de fachada. A prisão preventiva foi justificada pelo risco concreto à ordem pública, dada a premeditação e habitualidade delitiva apontadas pelo magistrado.