A encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, compareceu ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) no dia 29 de outubro de 2026 para prestar esclarecimentos sobre a passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pela Argentina após sua derrota nas eleições presidenciais. A convocação foi descrita como um gesto diplomático de protesto, sinalizando o descontentamento do Brasil com um possível envolvimento de auxiliares do presidente argentino Javier Milei no plano de fuga do candidato derrotado.
Segundo o Estadão Política, a reunião contou com a presença de João Marcelo Galvão de Queiroz, chefe do Departamento do Mercosul do Itamaraty, que recebeu a diplomata para ouvir os detalhes do ocorrido. Não foram agendadas novas reuniões para tratar do assunto nos próximos dias, indicando que o episódio deve permanecer sem desdobramentos adicionais por parte do governo brasileiro.
Flávio Bolsonaro permanece nos Estados Unidos com a família, tendo utilizado um documento italiano para entrar no país depois que seus passaportes brasileiro foram cancelados por ordem do Supremo Tribunal Federal. Uma fonte do Departamento de Estado dos EUA informou que o governo americano concedeu um visto especial para sua permanência. A rota da viagem incluiu passagem pela Argentina, onde o candidato foi acompanhado por esposa e filhas, antes de seguir para Miami em avião particular, com parada para reabastecimento no Equador.
A convocação de Cortés segue precedentes diplomáticos, como a chamada da chefe da embaixada de Israel em maio para esclarecer um vídeo sobre ativistas detidos. Desde agosto de 2026, a Argentina está sem embaixador no Brasil, após o governo Lula rebaixar as relações bilaterais ao nível de encarregados de negócios, em resposta a ataques de Javier Milei ao Brasil e ao presidente Lula.
