O Ibovespa, principal índice da B3, recuou 18,12% na primeira semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), configurando a quinta maior queda semanal desde a implantação do Plano Real em julho de 1994, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O recuo foi acompanhado por alta de 9,03% no dólar comercial no mesmo período.

Na sexta‑feira (30/10/2026), o índice encerrou o pregão em 167.921,80 pontos, com desvalorização de 0,75% em relação ao dia anterior, enquanto o dólar fechou cotado a R$ 5,44, alta de 1,05% no dia. No pregão anterior, da sexta‑feira (23/10/2026), último antes do segundo turno, o Ibovespa perdeu 37.160,76 pontos.

A maior reação ocorreu na segunda‑feira (26/10/2026), primeiro pregão após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), quando o Ibovespa recuou 13,88% e o dólar avançou 8,21%. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, caracterizou a movimentação como correção de posições, apontando que investidores haviam precificado uma vitória de Bolsonaro.

Analistas da Elos Ayta ressaltam que parte dos investidores já havia incorporado ao preço dos ativos a possibilidade de mudança na condução da política econômica. A reeleição de Lula contrariou essas expectativas, gerando correção nas ações e elevação da percepção de risco fiscal. A queda semanal ficou apenas 0,76 ponto percentual abaixo da registrada em março de 2020, início da pandemia.

Especialistas alertam que a deterioração das condições financeiras pode impactar o PIB e a inflação em 2027, especialmente se juros e câmbio permanecerem elevados. O Boletim Focus previa crescimento de 1,31% para o PIB em 2027; porém, a manutenção de juros futuros acima de 15% e dólar próximo a R$ 5,35 pode encarecer financiamentos e insumos importados, reduzindo investimentos produtivos.