Em pesquisa publicada na revista *Journalism Practice* e divulgada no Poder360 em 1º de novembro de 2026, o autor Philip Di Salvo revela que jornalistas de Estados Unidos e Europa têm recorrido a hackers como fontes de informação. A entrevista com dez profissionais – entre repórteres de investigação e jornalistas de pauta geral – indica que não há diretrizes fixas para o uso de dados obtidos por invasões; os procedimentos são desenvolvidos caso a caso.
Os entrevistados apontam duas vertentes de atuação: a tradicional, que trata grandes vazamentos com checagem rigorosa, entrevistas e contextualização; e a emergente, que lida com exposições menores de dados, como arquivos na dark web, Pastebin ou repositórios de nuvem sem proteção, transformando-os em reportagens rápidas sobre vulnerabilidades e privacidade digital.
A pesquisa também destaca que grupos de ransomware, organizações criminosas e hackers ligados a governos disponibilizam novos conjuntos de dados por meio de plataformas como o Distributed Denial of Secrets, ampliando o fluxo de informações disponíveis para a imprensa.
Embora os jornalistas reconheçam o potencial informativo desses materiais, eles ressaltam a falta de normas compartilhadas e os dilemas éticos que surgem ao publicar informações obtidas por meios ilícitos. O estudo sugere a necessidade de desenvolvimento de protocolos claros para orientar a apuração e a divulgação de dados provenientes de hacktivismo.
Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-midia/hackers-viram-fontes-e-desafiam-praticas-do-jornalismo/).
