A deputada federal Gleisi Helena Hoffmann (PT) declarou nesta segunda‑feira (02/11) que o mercado financeiro possui "DNA do autoritarismo" e que não surpreende o apoio de parte do setor ao senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência. A fala foi feita ao comentar a reação de investidores a um suposto encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o economista André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real.

Hoffmann acusou analistas do mercado de garantir, "alegremente", que Lara Resende ajudaria o candidato a vencer e a praticar um "estelionato eleitoral". Em publicação nas redes sociais, a deputada negou a organização de qualquer reunião, mas ressaltou que o simples fato de Lula conversar com o economista gerou nervosismo e pânico entre agentes do setor financeiro.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu à CNN Brasil negando a existência de agenda marcada entre Lula e Lara Resende, afirmando que não há proposta em discussão e que o tema é "fático". Hoffmann, por sua vez, reiterou que o mercado tem laços com organizações criminosas, citando supostas conexões com o PCC, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Gaeco de São Paulo, além de mencionar perdas bilionárias em apostas pós‑eleição.

A declaração de Hoffmann vem em meio a debates internos no PT sobre a política fiscal do governo e à divulgação de um documento de 11 páginas elaborado por José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo, que elogia a proposta de Lara Resende de tabelamento da taxa Selic. A deputada reforçou que o diálogo com diferentes setores, inclusive com economistas considerados fora da "Faria Lima", é parte do dever democrático do presidente.