A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), concluída na manhã de 31 de outubro de 2026 em Yerevan, na Armênia, registrou que o Fundo de Cali – criado para receber parte dos ganhos de empresas que utilizam informações genéticas da biodiversidade – encerrou a reunião com pouco mais de US$ 10 mil depositados, muito distante da meta de arrecadar US$ 1 bilhão por ano. A meta do fundo era complementar recursos públicos insuficientes para alcançar as metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming‑Montreal, que prevê a mobilização de US$ 200 bilhões por ano até 2030.
Segundo o artigo do Congresso em Foco, as empresas farmacêuticas, responsáveis por US$ 161 bilhões de lucros em 2025, não cumpriram as taxas indicativas acordadas na COP16 (1 % do lucro ou 0,1 % da receita). Caso tivessem contribuído, teriam depositado cerca de US$ 756 milhões apenas naquele ano, mas nenhuma grande farmacêutica fez isso. A Federação Internacional da Indústria Farmacêutica (IFPMA) classificou as taxas como “comercialmente irrealistas” e sugeriu que cada empresa contribuísse com o valor que considerasse adequado, além de pedir que os pagamentos substituíssem obrigações previstas em leis nacionais.
A secretária‑executiva da Convenção, Astrid Schomaker, reconheceu publicamente que o fundo não atingiu o êxito esperado, e organizações da sociedade civil alertaram que o adiamento das decisões técnicas pode deixar o fundo vazio pelos próximos dois anos. Enquanto isso, o uso comercial das sequências genéticas (DSI) continua sem contrapartida financeira, apesar de sua importância para a descoberta de medicamentos, como os derivados de plantas e fungos que compõem a maioria dos tratamentos contra o câncer.
A decisão final da COP17 definiu parte das regras de funcionamento do Fundo de Cali, mas deixou questões técnicas essenciais para a próxima conferência (COP18), prevista para 2028 no Equador. Fonte: Congresso em Foco (https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/131296/a-divida-farmaceutica-com-a-biodiversidade).
