Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos, onde já se encontrava seu irmão Eduardo, e a dupla pode acabar dividindo os holofotes da base bolsonarista sem ampliar a força da oposição ao governo Lula, segundo análise do colunista Robson Bonin, do Radar. Bonin afirma que o peso político dos irmãos dependerá tanto do desempenho do grupo de Donald Trump nas eleições americanas de meio de mandato quanto da capacidade da direita de conquistar o comando do Senado brasileiro.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, na terça‑feira, 3 de novembro de 2026, Bonin destacou que Flávio tentará “dividir esses holofotes, não é uma soma”, mas que a presença simultânea dos dois no exterior pode dispersar a atenção de um público que Eduardo já mobilizava nas redes. O colunista ainda comentou que, nas conversas que teve com integrantes do governo, a avaliação era de que a entrada de Flávio nos Estados Unidos dificilmente ampliaria a força da direita.
Segundo Bonin, a derrota de Flávio para Lula nas eleições presidenciais – sem especificar o ano – já havia colocado os irmãos em posição de atuar do mesmo país, sustentando um discurso de alegada perseguição judicial. Ele alerta que um revés do grupo de Trump nas eleições americanas de meio de mandato deixaria o presidente dos EUA politicamente mais fraco, o que poderia impactar a estratégia dos Bolsonaro no Brasil.
A análise indica que a união dos irmãos nos EUA pode, ao invés de fortalecer a oposição, redistribuir a atenção da base bolsonarista, sobretudo se a direita não conseguir o comando do Senado. O futuro da influência dos Bolsonaro dependerá, portanto, de fatores externos – como o resultado das eleições americanas – e internos, como a configuração do Congresso brasileiro.
