O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos na terça-feira (27), dias após a derrota na disputa presidencial de 25/10. A informação foi confirmada por aliados do parlamentar à CNN Brasil, que afirmaram que ele viajou com a família e que o governo norte-americano sinalizou apoio e a possibilidade de asilo. A decisão ocorre após a Polícia Federal cancelar os passaportes do senador, que não foram entregues dentro do prazo de 24 horas determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Na segunda-feira (26), véspera da fuga, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais negando qualquer intenção de deixar o país. "Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar", declarou o senador. A determinação de Moraes ocorreu no contexto de um inquérito que apura denúncias de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz.

A saída do país gerou reações imediatas de aliados e opositores. O líder do PL no Senado afirmou que a decisão de Flávio "tem de ser compreendida", enquanto o vice de Flávio no Senado, Rominho, classificou a situação como "perseguição implacável". O governo brasileiro chegou a acionar autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga, antes de a PF confirmar o cancelamento dos documentos e aliados confirmarem o destino nos EUA.

Este episódio repete o cenário vivido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, quando viajou aos Estados Unidos dois meses após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela ocasião, porém, Jair Bolsonaro ainda não era investigado por tentativa de golpe de Estado. A situação de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de tensão política, com o PL convocando reunião de emergência e aliados cobrando respostas sobre o "sumiço" do senador.