A recente proibição das apostas esportivas no Brasil trouxe à tona uma preocupação imediata para o futebol nacional: como os clubes vão substituir os milhões de reais que recebiam das casas de apostas? Até o fim de outubro, 13 dos 20 clubes da Série A exibiam marcas de bets em suas camisas, tornando essas empresas importantes financiadoras do esporte nos últimos anos.

O artigo da Congresso em Foco, publicado em 30/10/2026 às 11h, aponta que a dependência dos clubes de receitas extraordinárias revela fragilidade antiga na gestão financeira do futebol brasileiro. O texto destaca que, embora muitos patrocínios fossem firmados por contratos de longo prazo, a concentração de recursos em um setor cuja sustentabilidade já era questionada pode gerar endividamento e vulnerabilidade social.

O autor, Eduardo Bandeira de Mello, argumenta que a regulamentação das apostas, aprovada pelo Congresso Nacional, não considerou adequadamente os riscos associados. Ele cita experiências internacionais – Albânia, Holanda, Reino Unido, Itália e Espanha – para ilustrar que a proibição isolada pode favorecer o mercado clandestino, exigindo, portanto, fiscalização rigorosa e bloqueio de plataformas ilegais.

Além da questão das receitas, o texto ressalta a necessidade de os clubes revisarem suas estratégias financeiras, reforçando planejamento de longo prazo, transparência e responsabilidade na gestão. O autor conclui que políticas públicas devem ser orientadas por resultados concretos, não apenas por boas intenções, e que a proibição das apostas deve ser acompanhada de medidas que garantam a sustentabilidade do futebol sem recorrer a fontes de financiamento voláteis.