O Governo Federal criou uma força‑tarefa para coibir casos de assédio eleitoral após o pleito de domingo e punir empregadores que discriminem funcionários por preferência partidária. Contudo, a operação pode ser limitada por um grave déficit de pessoal: o Brasil dispõe de cerca de 2 600 auditores‑fiscais do trabalho para monitorar a situação laboral de 103 milhões de trabalhadores.
A Convenção nº 81 da OIT recomenda um auditor para cada 20 000 profissionais, o que evidencia a insuficiência do quadro atual. Nesta quinta‑feira (29/10/2026), a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) divulgou um manifesto pedindo a convocação urgente dos aprovados no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) de 2024, a fim de suprir a escassez de servidores.
O Sindicato Nacional dos Auditores‑Fiscais do Trabalho (Sinait), integrante da Conatrae, também apoiou o chamamento, afirmando que a falta de auditores compromete a capacidade de fiscalização do Estado e a proteção dos direitos dos trabalhadores. Sem a ampliação do quadro, a investigação das mais de 3 000 denúncias de assédio eleitoral registradas no pleito deste ano permanecerá reduzida.
A iniciativa visa garantir a proteção trabalhista e a efetividade das denúncias de assédio, mas depende da resposta do Executivo à pressão das entidades. Até o momento, não há informações oficiais sobre a data de convocação dos aprovados no CPNU.
