A defesa de Daniel Vorcaro, ex‑controlador do Banco Master, protocolou, em 27 de outubro, um pedido à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) solicitando a libertação do empresário, que está preso preventivamente desde 4 de março de 2026. O recurso, divulgado nesta segunda‑feira (2), pede que a CIDH adote medidas cautelares para garantir a liberdade de Vorcaro ou, alternativamente, que um juiz brasileiro decida sobre sua soltura em até cinco dias.
Segundo os advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz, Vorcaro está detido há quase oito meses sem denúncia formal e sem a revisão obrigatória da prisão preventiva a cada 90 dias, como determina a lei. Eles também denunciam o vazamento de conversas íntimas obtidas de um celular apreendido pela Polícia Federal, alegando que mais de mil alterações teriam sido feitas nos dados enquanto o aparelho estava sob custódia.
A defesa questiona ainda a legalidade do uso dessas conversas nos processos investigatórios, afirmando que nenhum dos advogados foi investigado e que não houve autorização judicial para o acesso ao conteúdo. Embora a CIDH possa solicitar medidas cautelares ao Brasil, o acionamento da comissão não suspende automaticamente a prisão nem substitui decisão judicial nacional.
O pedido de Vorcaro chega em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a Operação Compliance Zero. Na quinta‑feira (29), o presidente do STF, ministro Edson Fachin, manteve temporariamente os processos da operação sob a responsabilidade da Presidência da Corte por até 90 dias, sem substituir formalmente o relator André Mendonça. A defesa afirma que, apesar dessa mudança, o pedido de soltura de Vorcaro continua sem resposta.
Fonte: Congresso em Foco (https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/131247/vorcaro-recorre-a-comissao-interamericana-e-pede-fim-da-prisao).
