Em 29 de outubro de 2026, emissários ligados ao Departamento de Estado dos Estados Unidos alertaram o senador e candidato derrotado nas eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL), de que a autodenominação de “presidente eleito do Brasil” em uma carta divulgada nas redes sociais poderia prejudicar as relações diplomáticas entre Washington e Brasília. A primeira versão do documento, que circulou inicialmente em Washington, continha a referência ao candidato como “presidente eleito”. Cerca de 40 minutos após a publicação, o texto foi alterado e passou a apresentar Flávio Bolsonaro como “líder do Brasil”.
Segundo a coluna de Mariana Sanches, do UOL, a mudança foi feita após representantes americanos manifestarem preocupação com as consequências diplomáticas da declaração. Um embaixador dos Estados Unidos, citado sob reserva, afirmou que reconhecer Flávio Bolsonaro como presidente eleito poderia comprometer as relações bilaterais, embora a entrada do senador no país sob alegações de asilo ou segurança fosse distinta.
O presidente dos EUA, Donald Trump, foi questionado sobre o caso e respondeu que os Estados Unidos haviam autorizado a entrada de Flávio Bolsonaro, mas evitou comentar a questão da titulação. Trump também descreveu a eleição brasileira como “muito estranha”.
A situação ilustra a sensibilidade das declarações diplomáticas pós‑eleição e o cuidado de Washington em não legitimar oficialmente um candidato que não venceu o pleito, evitando assim possíveis tensões com o governo brasileiro.
