Pesquisas realizadas em laboratório sugerem que a melatonina, hormônio regulador do sono, pode aumentar a sensibilidade das células de glioblastoma à temozolomida, principal fármaco usado na quimioterapia desse tumor cerebral agressivo. Em experimentos de 2025, a combinação das duas substâncias reduziu a sobrevivência e a multiplicação das células tumorais em culturas e diminuiu o crescimento de tumores implantados sob a pele de camundongos. Outro estudo de 2018 já havia indicado aumento da sensibilidade de células-tronco de glioblastoma à temozolomida quando tratadas com melatonina, embora os efeitos tenham variado conforme o modelo experimental.
Entretanto, os resultados ainda são limitados a modelos in vitro e animais, e os tumores testados em camundongos não estavam localizados no cérebro, o que restringe a extrapolação para a doença em humanos. Além disso, as doses de melatonina empregadas nos experimentos foram centenas de milhares de vezes superiores às produzidas naturalmente pelo organismo durante o sono, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade de replicar esses efeitos em pacientes.
Especialistas ressaltam que, apesar do potencial observado, não há evidência clínica suficiente para recomendar a melatonina como tratamento complementar contra o glioblastoma. Estudos clínicos em humanos ainda são necessários para confirmar a segurança e a eficácia da combinação com a temozolomida.
