Uma pesquisa global realizada pela Deloitte, a Gen Z and Millennial Survey 2026, revela um cenário de desinteresse pela carreira de liderança entre as gerações que hoje ocupam os postos de decisão no Brasil. Embora 74% dos millennials e 69% dos integrantes da geração Z afirmem ter interesse em assumir posições de liderança em algum momento da carreira, apenas 8% e 6%, respectivamente, indicam que essa é a prioridade profissional atual, segundo dados divulgados em artigo no Estadão.

O levantamento, que ouviu 22.595 participantes em 44 países, sugere que a mudança não se deve a uma falta de ambição, mas à reavaliação do custo-benefício de ocupar cargos de gestão. Os autores do texto, Jacir Venturi e Daiane Fraile, argumentam que os profissionais passaram a questionar o preço a ser pago para alcançar posições de destaque, especialmente em um contexto marcado por sobrecarga e disponibilidade permanente.

Esse sentimento de esgotamento é corroborado pelo relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, que aponta um engajamento de apenas 22% entre gestores globais em 2025, um índice que vem caindo ano após ano. Os autores destacam que a naturalização de modelos de gestão baseados na responsabilização individual por problemas estruturais contribui para o afastamento de novos líderes.

O artigo, publicado no blog de Fausto Macedo no Estadão, analisa como a expansão das tecnologias digitais e a valorização do bem-estar estão modificando as expectativas de carreira de millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e da geração Z (nascidos entre 1997 e 2012). Os autores concluem que reconhecer os excessos dos modelos tradicionais não significa abrir mão da responsabilidade profissional, mas sim repensar a forma como a liderança é exercida e estruturada nas organizações.