O diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, afirmou em entrevista ao C-Level Entrevista, da Folha de S.Paulo, que a prioridade máxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ser definir o nome do próximo ministro da Fazenda nos próximos dias. Segundo o analista de risco, a indicação é essencial para encaminhar uma operação de "apaga-incêndio" que vise restaurar a confiança do mercado, abalada após o resultado das eleições de 2026.
Garman aponta que a situação fiscal do país está mais precária do que em 2022, com a credibilidade do governo "no chão" e um custo de oportunidade elevado para a inação. Para o especialista, o mercado não aceitaria um ajuste gradual que não atacas as regras de gasto obrigatório, e a reação de pânico vista na segunda-feira (26/10) reflete o desalinhamento dos investidores, que estavam posicionados para uma vitória do candidato Flávio Bolsonaro.
Entre os nomes mais fortes para o cargo, o especialista cita o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Garman destaca que Fonteles possui uma reputação de experiência em gestão fiscal que o tornaria aceitável para o mercado financeiro. A escolha dos postos-chave, especialmente Fazenda e Casa Civil, é vista como determinante, mas o analista ressalta que a implementação de reformas para endereçar o aumento do gasto obrigatório e a dinâmica da dívida é igualmente, se não mais, importante para a retomada da confiança dos investidores.
