Após a queda da Bolsa e o avanço do dólar, empresários próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recomendam que o chefe do Executivo emita um posicionamento direto sobre as medidas fiscais a serem adotadas para tranquilizar o mercado financeiro.
Segundo o blog do Valdo Cruz, no G1, esses empresários argumentam que, embora o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deva indicar a adoção de medidas necessárias, é fundamental que o recado principal venha do próprio presidente. Um deles afirmou de forma reservada: "Uma fala de Lula tem um peso imenso, e, até agora, ele não mandou esse recado direto, fica só lembrando que em governos passados teve responsabilidade fiscal. É preciso mais".
O cenário fiscal de 2027 é descrito como preocupante, com risco de falta de verbas para programas e manutenção da máquina pública. Dario Durigan informou que apresentará ao presidente, nos próximos dias, medidas para garantir o cumprimento do centro da meta fiscal, que prevê um superávit de 0,5% do PIB no próximo ano. Algumas dessas medidas serão adotadas ainda neste ano, enquanto outras precisarão de aprovação no Congresso Nacional.
Economistas citados na reportagem avaliam que o governo precisaria garantir um superávit primário acima de 0,5% do PIB, sendo o ideal um ajuste de 1,5% do PIB. Contudo, a avaliação é que Lula não autorizaria um ajuste dessa magnitude de imediato, mas precisaria indicar essa direção nos primeiros anos de seu quarto mandato. Outro empresário ouvido alertou que, sem as contas públicas arrumadas, a tendência será de juros elevados, inflação pressionada e aumento do desemprego.
