A Embrapa, em parceria com a Sabesp, anunciou a criação de um fertilizante de liberação lenta a partir do lodo gerado nas estações de tratamento de água (ETAs). O processo hidrotérmico desenvolvido neutraliza o alumínio tóxico presente no resíduo e incorpora nutrientes como nitrogênio e potássio, transformando um passivo ambiental em insumo agrícola. Segundo Caue Ribeiro, coordenador do projeto na Embrapa Instrumentação, o alumínio livre pode ser prejudicial às plantas, mas a nova tecnologia o converte em matéria‑prima segura para fertilizantes em forma de grânulos que ainda servem de veículo para microrganismos benéficos.

O estudo, concluído após quatro anos de pesquisa e investimento de mais de R$ 2,7 milhões, contou com o apoio da FAPESP e do Programa de Apoio à Pesquisa em PITE, além da participação de diversas unidades da Embrapa (Pecuária Sudeste, Meio Ambiente, Suínos e Aves, Agroenergia). Os testes em laboratório e em casa de vegetação apresentaram resultados positivos, e o próximo passo será a busca de empresas interessadas em um projeto‑piloto industrial para produção em escala.

A Sabesp gera cerca de 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano nas 208 ETAs do Estado de São Paulo, cujo custo médio de transporte e destinação chega a aproximadamente R$ 300 por tonelada. Marco Barros, diretor corporativo da Sabesp, destacou que a iniciativa pode reduzir custos logísticos e o descarte em aterros sanitários, ao mesmo tempo em que agrega valor ao material que antes era considerado resíduo.

A inovação representa uma solução sustentável para um desafio logístico e financeiro do setor de saneamento, ao integrar fertilização e proteção biológica em um único produto de liberação controlada.