O economista Gabriel Leal de Barros, chefe da ARX Investimentos e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, declarou nesta segunda-feira (26) que o governo federal precisa adotar medidas de grande impacto para recuperar a credibilidade nas contas públicas. Segundo ele, ações "band-aid" ou superficiais são insuficientes diante da magnitude do desafio fiscal enfrentado pelo país.

A declaração ocorre em um contexto de forte reação negativa dos mercados após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25). Nesta segunda-feira, a Bolsa brasileira registrou uma queda de 15,71% até as 13h27. De acordo com o economista, a deterioração das finanças públicas desde 2023 levou a dívida pública a atingir 82,9% do PIB em agosto de 2026, nível que ele considera 25 pontos percentuais acima do observado em países semelhantes.

Leal de Barros argumenta que o aumento dos gastos públicos pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares elevados para conter a demanda e os juros futuros. Para ele, a recuperação da credibilidade exige reformas estruturais, como o congelamento do aumento real do salário-mínimo ou a revisão das regras de piso de gastos com saúde e educação. O economista classificou tais medidas como "estelionato eleitoral" na visão do presidente reeleito, que as defendeu de forma oposta durante a campanha.

O especialista também alertou para o elevado risco externo do Brasil, comparando a situação atual a um período de maior vulnerabilidade do que o observado durante o governo de Dilma Rousseff (2011-2016). Com juros globais mais altos e fundos domésticos direcionados a títulos isentos, Leal de Barros afirmou que o país dependerá de investidores estrangeiros para financiar as necessidades fiscais, em um cenário geopolítico adverso onde "se o mundo espirrar, a gente entra em coma".