O economista André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, afirmou que o Banco Central mantém a taxa básica de juros em patamar elevado "em nome de uma teoria anacrônica". Em post publicado no Substack em 25 de setembro, Lara Resende acusou a instituição de sustentar a taxa de juros como principal causa do desequilíbrio fiscal que se propõe a combater. Ele destacou que a relação dívida/PIB cresce a cerca de 5,7% ao ano, impulsionada pela alta dos juros, e que essa dinâmica inviabiliza crédito para produção e consumo, aumenta o endividamento de famílias e empresas e desestimula investimentos produtivos.
Segundo Lara Resende, a taxa de juros também agrava a concentração de renda, pois a dívida pública recai sobre a parcela mais rica da população. O economista apontou que, no longo prazo, juros e inflação apresentam correlação positiva, enquanto no curto prazo a redução dos juros poderia elevar a inflação antes de conduzi‑la a níveis mais baixos, reduzindo o apelo prático da política de corte de juros para conter a inflação.
Além de criticar o Banco Central, Lara Resende acusou a grande imprensa de focar no gasto primário como causa do desequilíbrio fiscal, e os analistas de mercado de confundir interesses de rentistas com racionalidade econômica. O economista concluiu que a solução para o problema fiscal passa pela redução da taxa de juros, mas que é preciso vencer os preconceitos associados a teorias monetárias e fiscais consideradas anacrônicas.
Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-economia/leia-o-que-disse-lara-resende-sobre-acabar-com-os-juros/).
