Na quinta‑feira (29/10), a cotação do dólar avançou e chegou a R$ 5,38, pressionada por incertezas quanto ao rumo da política fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Operadores apontam que, além do clima de aversão ao risco no cenário internacional, as declarações de membros próximos ao governo que se opõem a um ajuste fiscal intensificaram a pressão sobre a moeda.
Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil, afirmou que o mercado está focado mais no panorama interno pós‑eleição do que nos fatores externos e que “é natural o dólar estressar quando surgem declarações de pessoas próximas ao governo contra um ajuste”.
Em post no X, o ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, descartou a ideia de cortes nos gastos sociais como estratégia de ajuste fiscal, lembrando que o “‘tesouraço’ foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”. As falas de Boulos foram interpretadas pelos operadores como sinal de resistência dentro do Palácio do Planalto, contribuindo para a alta da moeda.
A divisa atingiu pico de R$ 5,4290 antes de recuar levemente, permanecendo em torno de R$ 5,40 ao final do pregão. O movimento representa alta de 7,90% na semana, após duas sessões de queda anterior.
