Na segunda‑feira (02/11/2026), José Sérgio Gabrielli – coordenador do programa de governo da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – publicou o artigo “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027”. No texto, que foi disponibilizado em PDF (469 KB) e enviado à imprensa, o autor defende a redução da taxa de juros por meio de um ajuste progressivo de gastos e receitas, sem o que chama de “austeridade contra o próprio eleitor”.

Gabrielli argumenta que, nas últimas décadas, não há correlação forte entre o resultado primário e a curva da taxa Selic no Brasil, e que elevar o superavit primário não seria o caminho adequado para baixar os juros. Ele cita a proposta do economista André Lara Resende – participante da elaboração do Plano Real – de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CMN) com metas conjuntas de política fiscal e monetária por quatro a cinco anos, incluindo a redução da Selic para cerca de 7,5 % ao ano e sua estabilização entre 3 % e 5,5 % ao ano.

O documento também traz dados sobre a dívida pública, que atingiu 82,9 % do PIB em setembro, mas, segundo Gabrielli, a dívida líquida está em 69,3 % do PIB, com 90 % da dívida denominada em moeda nacional e reservas cambiais robustas, o que afastaria risco de insolvência. O autor minimiza os temores do mercado financeiro, que tem acompanhado a trajetória da dívida, e aponta fatores externos – como a guerra dos EUA contra o Irã – como principais vetores de pressão sobre os preços, descartando “excesso de demanda” como causa relevante.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia afirmado no domingo (01/11/2026) que o governo não discute a adoção de tabelamento dos juros. O texto de Gabrielli, publicado durante a apreensão do mercado sobre os rumos da política fiscal do próximo governo, reforça a ideia de que a solução para a alta taxa de juros não passa por austeridade, mas por um ajuste fiscal coordenado com metas monetárias.