A dívida pública global está prestes a atingir o patamar de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo alerta feito pela diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Durante a Conferência Internacional de Bancos do Santander, realizada em Madri na terça-feira (03/11), a economista classificou o cenário como preocupante e destacou que o custo para o pagamento dos juros está se tornando "sufocante" para diversos governos, informou o Poder360.

Georgieva afirmou que, embora os países tenham recorrido ao endividamento para enfrentar crises recentes — como a pandemia de Covid-19 e os impactos da guerra na Ucrânia —, houve uma falha em recompor as reservas fiscais nos períodos de estabilidade. Com a inflação pressionando as taxas de juros para cima, o serviço da dívida passou a comprometer fatias maiores dos orçamentos públicos, afetando também a capacidade de investimento de empresas e o consumo das famílias.

Além do endividamento, a chefe do FMI apontou riscos na rápida expansão da inteligência artificial (IA). Segundo as estimativas do fundo, cerca de 40% dos empregos globais podem ser afetados pela tecnologia em um curto intervalo de tempo. Georgieva alertou para uma possível concentração excessiva de investimentos no setor, afirmando que a economia mundial não pode depender de uma "única perna" e que ajustes fiscais combinados com o crescimento da atividade econômica são essenciais para garantir a estabilidade financeira global.