Em artigo publicado no Estadão Política na tarde de sexta-feira (30/10), Edvaldo Nilo de Almeida alerta que a divulgação de obras públicas costuma se limitar ao investimento inicial, enquanto o custo de operação ao longo de décadas permanece oculto. Usando como exemplo hipotético a construção de um hospital com implantação de R$ 45 milhões, ele demonstra que despesas anuais de R$ 18,0 milhões com pessoal, insumos e serviços, mais R$ 1,125 milhão de conservação, gerariam um total de R$ 382,5 milhões em vinte anos, elevando o custo integral da obra para R$ 427,5 milhões – dos quais apenas 10,5 % seriam cobertos pela placa de inauguração.

O autor argumenta que a Lei de Responsabilidade Fiscal já impõe a estimativa de impactos orçamentários e financeiros (art. 16) e a identificação de despesas obrigatórias de caráter continuado (art. 17), além de condicionamento de novos projetos à situação dos já em andamento (art. 45). Contudo, a aplicação prática desses dispositivos ainda é rara, permitindo que decisões de construção se baseiem apenas no valor visível da obra, enquanto os custos de manutenção e operação são deixados de fora do debate público.

Macedo (sic) cita ainda dados do Tribunal de Contas da União de 2017, que mostraram a expansão de unidades de pronto atendimento de 500 para 1.300, com 700 permanecendo inacabadas por falta de recursos para sua operação. O texto conclui que, para evitar esse descompasso, a decisão de construir deve ser acompanhada de projeções de custos integrais por, no mínimo, vinte anos, indicando fontes de financiamento e comparando alternativas como telessaúde, transporte sanitário ou parcerias regionais.

A proposta visa tornar transparente a verdadeira conta da obra antes da sua aprovação, permitindo ao cidadão avaliar se a construção é a melhor escolha ou se outras formas de prestação de serviço seriam mais eficientes e menos onerosas para o erário.