Especialistas consultados pela VEJA apontam que o segundo turno da eleição presidencial, concluído no domingo (25/10), não será capaz de encerrar a profunda polarização que atravessa a sociedade brasileira. O cientista político Jorge Mizael, sócio da Metapolítica Consultoria, afirma que o risco maior agora é que o país saia das urnas sem ter resolvido as fissuras que o dividem, com um presidente que inicia o mandato rejeitado por quase metade dos eleitores.
Segundo Mizael, a campanha foi marcada pelo repúdio ao adversário – Lula e Flávio Bolsonaro concentraram seus discursos em atacar o oponente – o que gera um governo com baixo capital político e pouca margem para implementar sacrifícios necessários à sociedade. "Uma vitória construída mais pelo medo do adversário do que pela adesão a um projeto gera um mandato com baixo capital político", disse o analista.
Ele alerta que, diante desse cenário, o presidente eleito dependerá ainda mais do Congresso para governar, o que pode dificultar a aprovação de reformas e aprofundar a desconfiança entre os cidadãos e as instituições. O estudo da polarização política no Brasil remonta a 2014, quando a disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves já mostrava sinais de divisão intensa, e se intensificou nas eleições de 2018, 2022 e agora em 2026.
A análise da VEJA reforça que, sem um esforço de reconciliação e construção de consenso, a tensão crônica pode se perpetuar ao longo do mandato, afetando a governabilidade e a estabilidade institucional do país.
